Alimentos: Gestação dos Desperdícios – até quando?

Alimentos: Gestação dos Desperdícios – até quando?

Estudos da EMBRAPA mostram que o brasileiro joga fora mais alimentos do que consome. O IBGE mostra números astronômicos de desperdício de alimentos por habitantes. Pesquisas de universidades constatam o mesmo.

Segundo estimativa da EMBRAPA (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, uma família de classe média joga fora, em média, 182,5 quilos de comida por ano, o suficiente para alimentar uma criança por seis meses.

Pesquisas desta década indicam que perto de 44% do que é plantado se perde na produção, distribuição e comercialização: 20% na colheita, 8% no transporte e armazenamento, 15% na indústria de processamento e 1% no varejo. Com mais 20% de perdas no processamento culinário e hábitos alimentares, as perdas totalizam 64% em toda cadeia.

Só em hortaliças, o total anual de desperdícios é de 37 quilos por habitante. Segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), em dados pesquisados nas maiores capitais do País, o consumo por ano, por habitante, é de 35 quilos. Dois quilos a menos do total que é desperdiçado no lixo.
Dados demonstram que, diariamente são desperdiçados 39 mil toneladas de alimentos, que vão literalmente para o lixo. Desperdício provindo de restaurantes, feiras, mercados, fábricas, quitandas, açougues e residências.

No Brasil, cerca de 60% dos alimentos adquiridos pelo consumidor para serem consumidos, superlotam as lixeiras do desperdício. A comida desperdiçada representa mais da metade do lixo produzido por ano no Brasil.

Estimativas sugerem que os desperdícios estejam na ordem de 15% em restaurantes e de 20% nos domicílios. Outras apontam que só nos restaurantes, bares e lanchonetes de 15% a 50% do que é preparado vai para o lixo. Um custo alto e desnecessário.

Outra pesquisa da Embrapa indica que o valor do desperdício de alguns produtos repassado do varejo ao consumidor final é elevado. Para o tomate a perda média foi de 30%. A média de repasse para o pimentão foi de 40% e para cenoura de 21%.

Se comparados os desperdícios, a média no Brasil está entre 30% e 40%, enquanto que nos Estados Unidos este índice está abaixo dos 10%.

Todos esses índices, por vezes diversos, mas estrondosos, dos desperdícios de alimentos evidenciados nas pesquisas e levantamentos, entram na composição dos custos, e pagamos mais caro, ao produto in natura ou ao produto pronto para o consumo.

Pagamos mais caro, de forma silenciosa e perigosa, também, pelos hábitos alimentares. Dados de 2008, divulgados pelo IBGE, indicam que o excesso de peso atinge 33,5% das crianças de cinco a nove anos, 21,5% dos adolescentes e cerca de metade da população adulta. Custo pelo consumo excessivo e errôneo de alimentos que está aumentando assustadoramente os índices de obesidade, com o consequente aumento das incidências de doenças ligadas e esses fatores, inclusive com as ausências e afastamentos do trabalho.

Por mais prazeroso e simples que seja o próprio ato da refeição se configura um exercício de consciência. Ser comedido ao se servir e mastigar o alimento lentamente permite maior controle sobre a saciedade e dificulta a perda de comida na forma de resto. Sua saúde também vai agradecer.

O desperdício decorre de falhas no decorrer do processo. Dentro da cadeia produtiva dos consumidores e das empresas da área, a conscientização contra o desperdício de alimentos começa antes mesmo do seu preparo. Com o planejamento e o monitoramento do processo, ou seja: definir previamente os pratos que irão compor o cardápio semanal ou de um período, listar os produtos necessários, conferir, armazenar, manipular e processar de forma adequada, estar sempre atendo a atividades de alta ou baixa de movimento ou evento que possa distorcer o consumo. Todas são etapas importantes do processo a serem seguidas e ajustadas e contribuem para melhor nortear o consumidor e o empresário no ato da compra, produção, distribuição ou consumo, evitando os desperdícios ou sobras desnecessárias, baixando os custos, melhorando os resultados.

Algumas atitudes simples, mas que envolvem mudança de comportamento, auxiliam no combate ao desperdício. A escolha de alimentos como frutas, legumes e hortaliças, sempre que possível, deve se realizar sem o contato manual. Desta maneira, o produto será preservado por mais tempo. Prefira produtos da estação, são mais baratos e saborosos. Procure comprar produtos da região. Isto ajuda a diminuir a poluição e as perdas causadas pelo transporte da mercadoria.

Com a procura aumentada de alimentos saudáveis e de preparo rápido, tem estimulado também a demanda por produtos prontos para consumo, porém seguros e de qualidade. Essa demanda tem oportunizado ao mercado inovar, com tecnologias até de baixo custo, aumentando a vida útil desses alimentos, reduzindo as perdas do valor nutricional com um processamento mínimo, reduzindo os desperdícios, a geração de resíduos e o custo de produção.

Mas, segundo especialistas, para resolver os problemas de desperdício de alimentos, é preciso muito mais. Preciso ter uma visão sistêmica de toda cadeia produtiva onde os desperdícios possam ser gerados, unir elementos distintos nas suas competências e somar esforços numa só direção. De outra forma, os próprios recursos envidados ao combate ao desperdício, estarão fadados ao desperdício. Preciso interromper a gestação do desperdício e fazer gestão do combate ao desperdício.

Evitando os desperdícios, haverá mais alimentos à disposição no mercado e os preços sofrerão redução para todos. É a lei da oferta e da procura. Faça sua parte.



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